Discernimento Espiritual

16 05 2010

Como não poderia deixar de ser, figura na lista dos dons espirituais o Discernimento de Espíritos. A presença deste dom é uma evidente prova do zelo e do amor que o Senhor Jesus tem para com a sua Igreja, e de sua maravilhosa sabedoria. A simples menção do discernimento de “espírito” nos adverte acerca de um perigo que ronda os arraiais do povo de Deus – mistificação dos dons espirituais. Também nos adverte sobre a audácia do nosso inimigo. Imaginemos que o Senhor concedesse tantos dons, principalmente os dons de falar sobrenaturalmente (profecia, línguas e interpretação de línguas), e não nos capacitasse a julgá-los, deixando-nos à mercê dos ardis do maligno, como acontece no espiritismo. Há muito que a obra do Senhor teria falido.

Um espírita de grande influência, depois de algumas inquirições, deixou patente que eles não dispõem de elementos para dizer com exatidão se um espírito incorporado ou manifestado no médium, é realmente o espírito que está dizendo ser ou se está mistificando. Isto não deve ocorrer com o povo de Deus, porque temos elementos para discernir os espíritos. Este dom maravilhoso que Deus colocou à nossa disposição prova que Deus é amor e tem zelo por seu povo.

1 – NÃO ESTAMOS LIVRES DOS ARDIS DE SATANÁS

Todo ser humano que passa nesta vida está sujeito às investidas de satanás. Desde que ele conseguiu uma vitória sobre Adão que a porta se abriu e o homem tornou-se vulnerável. Não há mente humana que não esteja sujeita a insinuações malignas, por mais bem intencionada que seja. Também não há lugar, por consagrado que seja, que esteja livre da presença do maligno.

Exemplo: Jesus no seu retiro espiritual no deserto.
Por isso Jesus nos advertiu da necessidade de vigiarmos, além de orarmos.

1.1 – Mesmo o crente espiritual esteja sujeito a sua influência – Exemplo típico é o de Pedro, que, no instante que havia sido usado pelo Espírito Santo, foi logo após insinuado pelo próprio diabo (Mt.16:17, 22 e 23). Por isso…

1.2 – Toda profecia deve ser julgada – por mais espiritual que seja o profeta. Um verdadeiro servo de Deus, zeloso da obra do Senhor, não deve se sentir melindrado por ter sido julgada sua mensagem. Um exemplo desse tipo de discernimento encontramos em Micaías, que logo discerniu a mensagem falsa e entregou a verdadeira. É certo que ele fizera coro com os demais profetas, de início, porque Acabe estava inclinado ao erro, mas depois demonstrou claramente que sabia que aquela não era a certa e entregou a profecia verdadeira (I Reis 22:13-28).

2 – PRECISAMOS CUIDADO AO TOMARMOS DECISÕES

Principalmente no que se refere às coisas espirituais. É indispensável muita dependência de Deus, mas necessitamos precaver-nos também nas decisões de caráter meramente material. Veja o exemplo de Josué com os gibeonitas: Faltou discernimento (Js. 9:14-16).

2.1 – Ao sermos assediados por doutrinas estranhas – principalmente para quem não tem muito conhecimento e base nas Escrituras, pois a Escritura é a espada do Espírito e é a pedra de toque. “Ela é apta para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (II Tm.3:16).

2.2 – Na escolha de líderes – dependemos quase que exclusivamente de Deus. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha para o coração. Portanto, muita oração e até jejum (At.13:1-2). Os maiores desastres e angústias e confusões que hoje existem nas igrejas decorrem da escolha precipitada e leviana de líderes. Não se busca o Senhor devidamente e a brecha se abre para o maligno. Às vezes é um homem de Deus, mas não é o homem para aquele posto ou para aquela ocasião. Precisamos discernir a vontade de Deus.

2.3 – Na escolha de profissão, casamento, realização de negócios – O inimigo arma ciladas de toda espécie e a todo momento que só o Espírito Santo é capaz de discernir (Gn.24:12-14).

Por isso Paulo recomenda: “Enchei-vos do Espírito” (Ef. 5:18). O dom de discernimento de espíritos nos capacita duplamente: a) a conhecer o Espírito de Deus; b) a conhecer o espírito maligno e a discernir entre o que é da carne do homem e o que é de Deus. Enfim, capacita-nos a conhecer a fonte a procedência da obra. Paulo soube discernir entre um impedimento de satanás e um impedimento do Espírito de Deus (I Ts.2:18; At.16:7).

3 – CONHEÇAMOS NOSSO INIMIGO

Ele pode se insinuar em nosso meio de várias maneiras. É sempre com muita sutileza. Sempre atrás de maledicências, das divisões, das heresias, das discenções, pode-se ver a figura do espírito das trevas.

3.1 – Como anjo de luz – através de uma idéia brilhante, de uma palavra mansa, de um discurso bonito, de um sonho, de uma visão, de uma profecia, ou então através da operação de maravilhas e grandes sinais. Exemplos: As visões de anjos (Morone), as heresias (movimentos empresariais em forma de Igreja) , os milagres das grutas, a adivinha de Filipos (At. 16:16-17), etc.

3.2 – Através de um agente seu – satanás envia certas pessoas para o nosso meio, pessoas que não passaram por regeneração, para influenciar negativamente e levar o povo à rebelião e ao pecado. Exemplo: O caso de Jezabel (I Reis), Balaão (Ap.2:14), Tobias (Ed.4:1-3), Elimas, o Mago, etc.

3.3 – Usando servos de Deus desprecavidos ou neófitos – ou orgulhosos, que caem na condenação do diabo. Uns são apenas inspirados pelo maligno numa ocasião de descuido, como seja o caso de Pedro (Mt.16:22). Há também o desvio total de indivíduos que começaram bem e se foram, levando após si muita gente.

Quase todas as grandes heresias hoje nasceram de homens e doutrinas que outrora foram evangélicos. Exemplo: A Igreja de Roma, o espiritismo, que teve suas primeiras manifestações em casas de pessoas evangélicas, etc.

Aqui no Brasil ainda soa em nossos ouvidos e constrange nossos corações o desastre ocorrido com um certo grupo avivado, que parecia ir muito bem, mas enveredou-se pelo caminho da auto-suficiência , deu ouvidos a espíritos enganadores e, por falta exatamente do dom de discernimento, teve um fim trágico. Seus líderes terminaram no suicídio e na cadeia. Isto falamos com muito temor e tremor diante de Deus, mas é necessário para a nossa advertência.

4 – DEUS É AMOR E TEM ZELO POR SEU POVO

Deus nos ama como um pai que se compadece de seus filhos. É Ele que nos guarda. Não cochilará o Espírito de Deus que está entre nós. É qual atalaia pronto para nos avisar ao menor sinal de ataque do inimigo. Ele vela por nós e por sua causa em geral, por todo o mundo, defendendo-nos de satanás.

Jesus preveniu a Pedro que ele seria tentado. O Espírito através de profetas e profetisas avisou a Paulo a respeito de sua prisão em Roma (At.21:7-11). “Ele tem cuidado de vós (1 Pe.5:7). Jesus disse que enquanto esteve no mundo, guardou os discípulos, agora, indo para o Pai, pediu-o que os livrasse do mal (Jo.17:12-15).

CONCLUSÃO

As considerações que acabamos de fazer não devem servir de desestímulo para a prática dos dons espirituais. Pelo contrário, sentimos ainda mais necessidade deles, para enfrentarmos com destemor a obra do diabo. Nossa missão é a mesma de Jesus: “O Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo”.

Jesus nos tranqüilizou quanto à interferência do inimigo nas relações do homem com Deus, quando afirmou: “Qual o pai que se o filho lhe pedir pão lhe dará uma serpente, ou se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós sendo maus sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, muito mais vosso Pai dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem” (Lc. 11:11-13). Dará o Espírito Santo, não o espírito de escorpião, nem espírito de serpente. Não temamos, pois, em buscar e exercer os dons espirituais, porque o Senhor vela por nós.